Dra. Natália Negreiros defende debate sobre internação de menores

O uso de álcool e outras drogas entre crianças e adolescentes tem levado famílias e profissionais da saúde mental a discutir formas de intervenção cada vez mais precoces. A preocupação é especialmente grande diante de relatos de crianças que entram em contato com substâncias ainda na infância e, quando o problema é identificado pelos responsáveis, já apresentam um quadro de uso mais frequente ou associado a outras drogas

A psiquiatra Dra. Natália Negreiros tem defendido a discussão de medidas que permitam ampliar o acesso de menores de idade a tratamento especializado, incluindo a possibilidade de internação involuntária ou compulsória em situações graves, quando houver indicação médica e os recursos extra-hospitalares forem insuficientes.

No Brasil, a legislação já prevê a internação involuntária de pessoas com dependência de drogas em determinadas circunstâncias. A medida precisa ser formalizada por médico, considerando o tipo de substância, o padrão de uso e a impossibilidade de utilização de outras alternativas terapêuticas. A legislação também estabelece que a internação deve ocorrer em unidades de saúde ou hospitais gerais com equipes multidisciplinares e pelo período necessário à desintoxicação.

A discussão envolvendo crianças e adolescentes ganhou ainda mais relevância com mudanças recentes na legislação. Em 2025, uma lei alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para determinar que o poder público ofereça assistência integral e multiprofissional a crianças e adolescentes dependentes químicos ou com problemas decorrentes do uso de drogas. Em 2026, outra alteração passou a assegurar o acesso de crianças e adolescentes a programas de saúde mental do SUS, incluindo prevenção, tratamento, atenção psicossocial, urgência, emergência e atendimento hospitalar.

Para famílias que convivem com a dependência química de um filho, o problema pode representar uma mudança completa na rotina. Muitas vezes, os responsáveis percebem alterações de comportamento, dificuldades escolares, mudanças no círculo de amizades ou outros sinais somente depois que o consumo já se tornou um problema significativo. A proposta defendida pela psiquiatra coloca em discussão justamente a necessidade de criar caminhos de intervenção antes que a situação se agrave.

A internação, entretanto, não representa, isoladamente, o tratamento da dependência. O acompanhamento médico, psicológico, familiar e a continuidade do cuidado após a alta são considerados elementos importantes para a recuperação e a reinserção social. A legislação brasileira estabelece, inclusive, que a internação deve ser utilizada quando os recursos extra-hospitalares forem insuficientes.

Além da atuação na área da psiquiatria, Natália Negreiros é candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026, segundo dados públicos da candidatura. A discussão sobre saúde mental e atendimento a pacientes aparece inserida em sua atuação pública.⁠

Entre os relatos de pessoas que acompanham seu trabalho, há também manifestações de reconhecimento pelo atendimento prestado pela médica. Uma pessoa ouvida em material de divulgação afirmou que sua decisão de a apoiar politicamente está relacionada, entre outros motivos, ao acompanhamento recebido por um familiar e aos cuidados prestados pela profissional.

O debate sobre o tratamento de crianças e adolescentes que enfrentam problemas relacionados ao uso de substâncias envolve, portanto, não apenas a possibilidade de internação, mas também a necessidade de diagnóstico precoce, estrutura especializada, suporte às famílias e continuidade do cuidado em saúde mental.

Artigos Relacionados

O projeto de IA que funciona na demonstração e para na operação

Apenas 5% das empresas que investem em inteligência artificial generativa chegaram à produção com impacto financeiro mensurável, segundo levantamento do MIT. A distância entre demonstrar e operar tem causas identificáveis, e nenhuma delas está na qualidade do modelo

Quando todo mundo é gerente, quem realmente manda?

Giovana Atarasi Jurca analisa o que acontece no dia a dia empresarial e o descompasso com a legislação

Governança de IA: o ponto cego estratégico para empresas

A inteligência artificial já entrou nas empresas brasileiras. Em muitos casos, porém, entrou pelas portas dos fundos: sem aviso, sem registro e sem que a liderança percebesse

Gestão de viagens: o fator humano além da automação

Em um mercado em que a automação virou padrão básico, a capacidade humana de tomada de decisão sob pressão tornou-se a métrica definitiva de segurança operacional para os negócios

5ª edição do Prêmio ComunicAÇÃO celebra nomes que fazem história na comunicação do Sul Fluminense

Idealizado pelo colunista social Fábio Soares, evento reúne profissionais,...