Reforma Tributária: falhas na gestão tributária exigem nova postura das empresas

Especialista explica como mudanças no sistema tributário podem afetar a competitividade dos negócios e quais erros empresários precisam evitar durante o período de transição

A Reforma Tributária representa uma das maiores mudanças econômicas já realizadas no país e promete alterar significativamente a forma como as empresas administram seus tributos. Mais do que substituir impostos, o novo modelo exigirá uma revisão da gestão financeira, da precificação, dos contratos e da própria estratégia empresarial.

Na avaliação da advogada tributarista e mentora Thainá Oliveira, o maior desafio não está apenas em compreender a nova legislação, mas em adaptar a operação das empresas a uma realidade completamente diferente da atual. “Estamos diante de uma mudança estrutural. A Reforma Tributária altera a forma como os tributos incidem sobre as operações e exige que empresários deixem de enxergar a gestão tributária apenas como uma obrigação fiscal para incorporá-la às decisões estratégicas do negócio”.

Reforma muda a lógica da tributação

O novo sistema substituirá tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI pela CBS, IBS e pelo Imposto Seletivo. Segundo a especialista, isso exige reorganização da precificação, dos contratos, do fluxo de caixa e do planejamento financeiro.

Os erros que mais comprometem as empresas

Entre os principais equívocos estão permanecer anos no mesmo regime tributário sem revisão técnica, desperdiçar créditos tributários, manter contratos desatualizados e acreditar que apenas o setor fiscal será responsável pela adaptação à reforma. “Muitas empresas permanecem anos no mesmo regime porque sempre funcionou daquela forma. Só que o negócio cresce, muda de mercado, amplia operações e a tributação também precisa acompanhar essa evolução”.

Setor de serviços deve enfrentar maior pressão

Empresas de serviços, como advocacia, consultoria, tecnologia, saúde e educação, tendem a sentir impactos mais relevantes devido ao menor volume de créditos tributários aproveitáveis, tornando o planejamento ainda mais importante.

Planejamento deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade

Embora a transição ocorra até 2033, a preparação precisa começar agora. Diagnósticos tributários, revisão contratual, análise do regime fiscal e avaliação dos impactos da CBS e do IBS serão fundamentais para reduzir riscos e preservar competitividade.

Tecnologia ganha papel estratégico

Sistemas integrados e análise de dados permitirão acompanhar créditos fiscais, simular cenários e reduzir inconsistências, tornando a gestão tributária mais estratégica e preditiva. Antecipação será o principal diferencial competitivo. Para Thainá Oliveira, empresas que iniciarem sua preparação desde já terão melhores condições de reorganizar suas operações, preservar caixa, aumentar eficiência e transformar a Reforma Tributária em uma oportunidade de crescimento sustentável.

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